PERFIL

28 de outubro de 2012

About a girl ♥


Como todo bom escritor, algumas vezes temos bloqueios. Embora meus bloqueios tenham nome e sobrenome, o que é um problema. Tenho estado distante ultimamente, até de mim mesma. Talvez por medo de me envolver novamente em situações que nunca me trouxeram muito conforto. E a única forma de me livrar disso é me deixar um pouco para trás. Já que tudo que eu faço envolve meu emocional, e tomar certas decisões a favor da razão não é lá meu ponto forte. O que é uma pena, porque isso facilitaria muito minha vida.
A alguns meses atrás eu estive com um pensamento firme me acompanhando, me obrigando a ver quão cega eu fui durante tanto tempo. Claro que as pessoas nunca mudam, e se é que mudam, eu não sei ver a diferença. Não esta escrito na testa de todo mundo -"Eu mudei". Eu me tomo como exemplo, porque eu sou a mesma de uma década atrás, claro, carrego uma grande bagagem desses anos, mas nada que possa interferir em quem eu realmente sou.
Esse acumulo de situações, a visão ampla de todos os meus erros durante boa parte dos meus relacionamentos, pessoais e profissionais, tudo que soma e subtrai dessa minha bela bagagem, hoje são minha maior proteção contra o mundo.
Eu me fechei totalmente para o novo. O que é novo da medo. Medo? Eu quis dizer, pavor. Dar passagem ao que é novo é mesmo que ter um djavu. Você se pega na mesma situação, na mesma posição, de caça ou caçador, e quando menos se espera, nada corresponde as suas expectativas, e se corresponde, você não sabe mais o que fazer. Resumindo, quando não da certo não me deixa frustrada, nem triste, porque eu já vivi aquilo, é começar algo novo vendo terminar como algo velho. É como olhar através de um espelho no tempo!
Ora, e se der certo menina? O que te impede de tentar? Ai que esta! Algo quando corresponde minha expectativa, ao mesmo tempo que abre portas pra minha imaginação, pro meu coração se expor mais, eu quero me afastar daquilo. E eu não entendo o porque disso tudo. Se tudo que eu quero é exatamente tudo que estou tendo, algo sobrenatural me faz temer, me faz sair de perto e não dar continuidade.
Só que o mais engraçado sobre mim, é que isso passa. Eu tenho que passar por todo esse processo pra realmente entender que aquilo tem que ser assim. Que a forma que começa é aquela, mas a forma que vai terminar, eu nunca vou saber. Que drama!
Embora isso nunca me afaste dos meus objetivos, dos meus sonhos, de alguma forma, certas coisas fazem parte de mim. Não seria eu se não fosse assim. E eu sou tão complexa que as vezes tenho que mapear minhas emoções, e entender o que realmente me faz feliz e o que me magoa. Mas a certeza que eu tenho é que de muitos machucados, aquele que mais me feriu, esse esta para sempre excluído. Alguns dores, com o tempo, se transformam em apenas lembranças, e quanto mais tempo se passa um dia você até deixa de lembrar que um dia doeu. Eu não acreditava que um dia algo de tamanha proporção fosse sarar. Não é que eu estava redondamente enganada! E me diziam em coro -"Um dia vai passar menina." - E eu pensava -"Não sabem o que dizem." - Na verdade, quem não sabia o que dizia era eu. Que sempre acreditei que as dores, pelo menos as minhas, eram eternas. E eu li recentemente algo que me fez entender como tudo isso passou e eu sequer notei. Dizia assim: Alguém me disse que quando se pára para pensar se gosta de alguém, já se deixou de gostar da pessoa para sempre.
E quando eu me dei conta, eu já tinha me feito essa pergunta milhares de vezes, durante algum tempo atrás, embora não soubesse responder, era uma pergunta retórica. E quantas vezes eu acreditei que esse pensamento era algum tipo de insanidade da minha mente, quando na realidade era tudo que eu precisava saber.
Hoje eu sei medir por tudo que eu já passei, e vejo pessoas, iguais a mim, passando pelo mesmo problema, lutando contra si como se aquela fosse a luta certa. Vejo pessoas, que como eu, que tiram esperança de um problema que infelizmente nunca vai ter solução. Incrível como diante das circunstancias a gente só quer ver aquilo que queremos, não o que esta bem diante dos nossos olhos. E eu, hoje, estando de fora de tudo isso, estando fora do ciclo de opiniões, vejo como é inútil tentar aconselhar alguém que tem fé que tudo aquilo vai acabar bem.
Mas acredito que isso faça parte do destino de cada um de nós. Não serei a primeira nem a ultima que aprendeu a amar e a como viver sem esse amor. Não vou dizer que deixei de amar, porque senão isso nunca teria sido amor. Existem inúmeras formas de classificar um sentimento. E no momento o que eu estou sentindo gosto de chamar de PAZ.